sexta-feira, 11 de março de 2016

LEITURA E COLHEITA (IV)


Continuando a dissecar o livro de Luzia de Maria, chegamos ao final.

PARTE III - LIVROS E LEITURAS - PARTILHAR

Estamos agora na Parte III, o final do livro Leitura e Colheita. 
Luzia de Maria apresenta, no Capítulo 1, depoimentos de brasileiros com aproximadamente 40 anos de idade e destaca um ponto em comum entre eles: a leitura como um ato de subversão. Pessoas que naquela época de juventude sentiam como se ler não fosse algo tão bom. Ou pelo menos tão importante para a formação do estudante.
Chama a nossa atenção para frases de alguns pais como “apague as luzes, vai estragar as vistas” e outras com o sentido de que ler não era tão importante, para filhos que liam em seus quartos à noite. Eles (os filhos) diriam que “Ler era mil vezes melhor que estudar”.
Comenta sobre o livro Como um romance, de Daniel Pennac, que aborda a questão da leitura por si só. E consegue atingir pela sensibilidade. Esse, segundo ela, é livro para se devorar de um fôlego apenas.
 
Mais adiante no Capítulo 2, relata a maravilhosa experiência de se sentir autora. E começa o capítulo com a cena final do filme Sociedade dos Poetas Mortos, representativa da repetição servil e fiel das pessoas. Em que “o novo surpreende, assusta e incomoda”.
Discorre sobre as mudanças ocorridas na educação nos anos 70. Surge, nessa época, a redação como ingrediente novo e assim instalam-se num sentido crescente as aulas de produção textual. De modo que, pela necessidade veemente desses conhecimentos, passam a predominar o tecnicismo, os modelos padrões de escrita, e, por se tratar de cobrança, de obrigação, leva à penúria vocabular e à ausência de motivação.

Luzia de Maria aprova o aprimoramento do senso crítico das crianças com a escrita desde a pré-escola. Em que nível for, para ela, a leitura é um modificador para todos que querem escrever.

No decorrer da última parte, alguns livros com a temática leitura e escrita nos são apresentados. Temas como aprender a ler, leitor, a criança e a escrita na fase inicial, a escrita e a escola, e por aí vai, criticando de modo construtivo, indagando, com a finalidade de nortear pequisas, encontrando pontos de conflito. Trabalhando sob depoimentos, a leitura, por fim, na concepção apresentada neste livro, se faz sedutora e pronta a encaminhar positivamente estudantes e pessoas em geral, ao encantar a imaginação e deliciar os olhos e a lógica com as palavras.

No Capítulo 6, da III Parte, ela tece alusões sobre o livro-álbum de arte D. Quixote, com fragmentos do texto de Cervantes, desenhos de Portinari e poemas de Drummond.
Um primor! Não acham?

Bom, cheguei ao fim de minha resenha crítica, eu diria. Comecei em outubro do ano passado e terminei agora em março. Foram cinco publicações neste blogue. Desde o dia em que assisti ao programa da TV FASE, com Luzia de Maria, até hoje.
O livro tem 174 (cento e setenta e quatro páginas). Este exemplar que estou nas mãos é a 2ª Edição.

Luzia de Maria escreveu outros livros O que é conto, Machado de Assis – As Artimanhas do humano, Drummond – Um olhar amoroso, Minha caixa de sonhar – Histórias de viagens para jovens de qualquer idade e recebeu alguns prêmios, além de criar e dirigir o jornal-revista PRAvaLER, também assessorou Darcy Ribeiro com a revista Informação Pedagógica.


terça-feira, 1 de março de 2016

ANDANÇAS


Publicarei alguns dos poemas que foram recitados no dia do lançamento de meu livro Sorrisos, amores e dores.



A recitação começou com o poema  


ANDANÇAS

Dos tempos de criança
que me solto à lembrança
da bola no chão, da pipa no céu,
a vida tinha gosto de mel.

O tempo monarca levou-me moça à rua passear,
mãos dadas sorrindo, pulando e caindo,
no trem da saudade vou-me indo.

O corpo já feito, os olhos mais fortes,
o segredo da vida se tornara familiar,
via-me chorando, aprendera a beijar,
estava a caminho de saber amar.

Os fantasmas do destino,
lado a lado com o meu coração,
testaram meu corpo intacto,
colocaram-me no deserto,
espetaram-me um cacto.

A dama da inocência me serviu
um cálice de doçura,
não entendi o que o destino queria,
não retribuí a altura.

Os olhos do tempo me faziam gingar,
o sopro do vento vinha sussurrar,
as mãos do artista vinham me moldar.

Colocaram-me em um palco,
a solidão amargurava meu coração.
Deuses do amor aproximaram-se,
ninfas da vertigem adormeceram-me.

Os sonhos invadiram minha mente,
senti um calor incandescente,
asas brancas envolveram-me,
a clareza da sedução delineou-me,
lapidaram-me. Chegou o amor!

Criou feridas em meu corpo,
as foices da mágoa apunhalaram-me,
as mãos tenras do prazer me foram anfitriãs.
Sobrevivi pela força de ser mulher.

Em outro vestido, me colocaram fora do ato,
passei as mãos em minha dor,
acatei as falas do amor,
caminhei por um longo chão sem cor.

Acordei com os olhos na lua e
os cabelos lentos da segurança
tomaram meu corpo.
Continuei com fé,
pronta para minha andança.



Aguardo os comentários de vocês, leitores. Para quem escreve é sempre bom ouvir o que tem a dizer quem lê. 
Este poema fiz há muito, desde o primeiro amor até o início do amadurecimento na vida.


POESIA NA MANHÃ DE SÁBADO



Na manhã de autógrafos do livro Sorrisos, amores e dores, desta bloguista, foi tudo muito tranquilo e favorável!

Um sábado literário, em que amigos e amigas se reuniram para o lançamento do livro, em um encontro agradável, em que a leitura de poemas foi o grande momento.


Aí estou eu e Sorrisos, amores e dores - em ordem alfabética -.

Agradeço o carinho daqueles e daquelas que puderam comparecer e participar junto comigo dessa realização pessoal.

A propósito, para adquirirem um exemplar do livro, devem entrar em contato com a autora pelo e-mail ritatrebecker@gmail.com.






quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

SORRISOS, AMORES E DORES

Após longos anos de gaveta, tomei a atitude de publicar meus poemas. Dei o nome do livro de
 Sorrisos, amores e dores  
em ordem alfabética.

Bom, também resolvi publicá-lo sob demanda, tiragem pequena, de forma que não sejam impressos tantos livros, como geralmente acontece, e  fiquem nas prateleiras, acumulando poeira.
Caso o autor queira imprimir mais é só encomendar. Penso ser melhor assim.

Como é de praxe, farei o lançamento no sábado, 27 de fevereiro, na Ideia e Ideais Editora, no Valparaíso.


O livro SORRISOS, AMORES E DORES traz poemas de várias fases de minha vida. 
Não me preocupei em identificá-los pelo momento em que foram escritos.
 Optei por publicá-los em ordem alfabética. 
De modo que foram se encaixando pelos títulos e assim ficaram. Aleatórios.
Os sorrisos são as felicidades, 
os amores são tudo que possa ter alterado os meus batimentos cardíacos, 
desde as paixões até o amor maduro da eternidade, enquanto dure. 
As dores estão sempre presentes, em alguns nãos, em alguns senões, 
em decepções e perdas. 
Tudo o mais se encaixa nas palavras ditas por aí e por aqui.
Um livro de poemas tem alma e alma é o sopro de Deus na criação da vida.

Olhem a capa como ficou!

Com o passar dos dias, pretendo publicar aqui uma ou outra poesia do livro.



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

A ATUAL LOGOMARCA DA EDITORA E O PROFISSIONAL RESPONSÁVEL POR ELA



A Ideia e Ideais Editora nasceu de uma parceria entre duas amigas, no início do ano passado, 2015. 
Por vários motivos não pôde continuar. Houve uma modificação e a editora precisou se reestruturar.
Com a sabedoria de dar alguns passos para trás a fim de novamente seguir em frente, a editora retornou fortalecida.
Por isso, pessoal, criou-se outra logomarca. Antes, era também linda, só que tinha uma outra face.
Eu já postei aqui no blogue a logomarca, com o título IDEIA E IDEAIS EDITORA – REPAGINADA.

A fim de ilustrar tudo isso, convidei o designer André Hansen, responsável pela nova logomarca, para uma entrevista em que ele esclarece um pouco do que é a profissão, nos fala a respeito da criação da logomarca da editora e dá alguns conselhos a quem está iniciando neste campo tão árduo, porém criativo, funcional e de resultados notáveis. Exatamente como se referiu André: fica a cara da empresa.


IIE: André, como você se descobriu designer?
Esta é uma pergunta um tanto quanto difícil de responder pois, na época em que optei pela carreira, as informações a respeito eram escassas. Naquele tempo eu sabia apenas da minha aptidão para o desenho e a pintura, o que faço desde muito pequeno como algo natural.

Em busca de uma profissão que valorizasse tais aptidões acabei lendo e me informando sobre esta profissão, seu surgimento com o movimento (escola) BAUHAUS e os desdobramentos que começavam a aparecer aqui no Brasil.
Posso dizer que fui influenciado e seduzido pela possibilidade de usar meu trabalho artístico e estético para cumprir funções que não eram meramente decorativas e aumentar o leque de possibilidades de ação, trabalhando com a comunicação, a informação, a ilustração. Enfim, em projetos e não em obras isoladas.

IIE: O designer é um artista plástico?
Não, de forma alguma. Não temos e não queremos ter o mesmo grau de liberdade que possuem os artistas. Aliás, é comum sermos procurados por artistas que precisam de alguém capaz de auxiliá-los a reproduzirem seus trabalhos (catálogos impressos, por exemplo). Alguém que possua conhecimento técnico apurado e possa, junto com a arte, reproduzir em escala industrial aquilo que o artista tem como obra.

IIE: Qual a sua formação? Desde quando você atua na profissão?

Sou bacharel em Comunicação Visual, formado em 1987, pela antiga Faculdade de Cidade e atual UniverCidade. Naquela época havia uma tentativa, na minha opinião equivocada, de tentar traduzir para a língua portuguesa palavras que eram usadas no mundo inteiro para designar a profissão. Hoje você encontra o curso universitário de Design Gráfico, porém naquela época (até o final dos anos 80 e meados dos 90) era chamado de “comunicação visual”.
Trabalhei como ilustrador no início dos anos 80, antes de entrar para a faculdade e durante a mesma. Estagiei no Jornal do Brasil durante o curso.
Depois de formado, resolvi fazer cursos complementares fora do Brasil e minha primeira opção foi a Suíça, onde sabia que poderia encontrar, convivendo harmonicamente, a arte tradicional e antiga e o novo universo tecnológico que estava dando seus primeiros passos. Ao mesmo tempo que estudava gravura em metal e aerografia (técnicas muito antigas), dava os primeiros passos na computação gráfica.

IIE: Certamente, você teve ou tem algumas influências na sua arte, quais?
A escola BAUHAUS, na Alemanha, era a referência na época e para alguns continua sendo. Ao longo da carreira - e por questões políticas - acabei me distanciando de certos dogmas herdados na época da faculdade. É lógico que existem pessoas, figuras humanas, que chamam a atenção pela qualidade do que produzem, no entanto um designer deve buscar sua própria identidade e estilo.
Somos treinados para isso e buscamos isso o tempo todo. Outro fator importante é a necessidade de aprendizado constante, pois cada projeto se transforma num novo desafio e você adquire novos conhecimentos.
Vai um pouco além das outras profissões, pois os temas são muito variados. Para citar apenas um exemplo, um designer capista (que trabalha numa editora fazendo capas de livros) precisa ler cada livro para poder desenvolver cada capa.

IIE: Especializou-se em alguma área?
Sim. Por ter trabalhado para algumas grandes instituições na área de eventos e por força de mercado acabei me especializando em identidade visual (hoje chamada Branding).

IIE: Como surge no designer André Hansen a inspiração para a sua prática?
O designer é um projetista e não há fórmula mágica quando o assunto é design. Costumamos dizer que nossa profissão é constituída de 10% de inspiração e 90% de transpiração, fazendo alusão à pesquisa, ao estudo e ao trabalho árduo que cerca cada projeto.

IIE: Como seu deu o processo da criação da logomarca da Ideia e Ideais Editora?
A metodologia para a criação de uma identidade visual é conversar, ouvir o cliente, perguntar sobre tudo e se inteirar sobre o que anda acontecendo no mercado, em áreas afins. Existe um ditado que diz: “O primeiro passo para uma boa ilustração é uma boa pesquisa”. No final de cada projeto temos a certeza de que fomos a ferramenta para fazer aquilo que o cliente queria de melhor e mais exequível possível. Como dizem por aí “ficou a cara da empresa” com todo o aparato técnico que viabiliza o uso adequado do projeto.

IIE: Ao entregar o produto ao cliente, qual o grau de satisfação do designer André Hansen?
Na maioria das vezes, nunca fico inteiramente satisfeito e isto pode prolongar alguns cronogramas. No entanto, tenho a consciência de que é preciso impor limites e que vivemos numa sociedade onde o tempo é crucial. Procuro nestes casos a ajuda do próprio cliente para que juntos determinemos a execução dos projetos. Vale lembrar que um projeto gráfico ou de produto pode e deve sofrer alterações com o passar do tempo e seguindo um raciocínio baseado em estudos mercadológicos é possível determinar uma periodicidade. Em suma, os projetos são abertos. 

IIE: Para aqueles que hoje escolhem a profissão designer gráfico, o que você aconselha?
Estudo, prática e valorização do trabalho bem feito. Procurar ser brilhante em todos esses itens, com certeza terá a chance do sucesso profissional.

Muito obrigada, André, pelos esclarecimentos a respeito da profissão que você abraçou.
Sem dúvidas, a logomarca da Ideia e Ideais ficou ótima e bem funcional.
A editora e este blogue estarão prontos a atendê-lo no que precisar.

Aí, gente, aqui em baixo está o link para o facebook do André.


http://Facebook/ André Hansen - Designer Gráfico

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

ANTOLOGIAS E CURSOS LIVRES - UM TRABALHO DIFERENCIADO E INDEPENDENTE


A Ideia e Ideais Editora tem um site: www.ideiaeideaiseditora.com

Está novinho em folha, como diz a linguagem popular.

A editora, além de ter o propósito da publicação de livros de novos autores, está oferecendo alguns cursos - Letra Cursiva e Produção Textual.

A editora também está divulgando seus projetos de antologias. São vários os temas!

Você pode participar enviando seu conto!

Visite o site e leia o regulamento. Conte um conto e aumente um ponto!

É assim que hoje sabemos das histórias que percorrem o mundo e a nossa vida.

Lembranças de aprendizado de nossos avós e que ficaram em nossas vidas para sempre. Como é gostoso contar  para os filhos, para os netos e para todas as pessoas. Umas contando para as outras!

Quantas histórias os professores, por exemplo, têm para contar. Histórias maravilhosas de alunos que surpreenderam!

Quantos alunos não lembram de alguns professores marcantes. E por isso conseguiram realizar aquele sonho de se formar.

Então, a Ideia e Ideais Editora gostaria de saber o que você tem para dizer.

A editora quer publicar a sua história e eternizá-la!

Envie seu conto!

http://ideiaeideaiseditora.com

ideiaeideaiseditora@gmail.com




quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

IDEIA E IDEAIS EDITORA - REPAGINADA


Olá! Trago para o blogue resenhasefolhetins.blogspot.com a nova logomarca da minha editora:


No papel fica assim:


Demais, não?!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

BLOGUEIRA OU BLOGUISTA



Desde que eu pensei em criar este blogue, procurei saber sobre a origem e o significado do vocábulo BLOG.
Tenho graduação em Letras e verdadeira paixão pelas palavras e as infinitas potencialidades criativas na formação de novos termos.

Assim que comecei a divulgar o resenhasefolhetins.blogspot.com, as pessoas, naturalmente, começaram a me chamar de blogueira. E, sem eu mesma saber por quê, não me sentia muito à vontade com essa denominação.
Resolvi pesquisar como ocorreu a escolha do termo blogueira e não bloguista, por exemplo. Este termo me é mais simpático e o preferi imediatamente.

Como tudo na web parece já ter sido dito, é óbvio que esse tema não é exceção.

Encontrei muita gente falando sobre a criação de blog e algumas pessoas também falando sobre blogueira e bloguista. A criação de um blogue, segundo fontes na internet, se deu em 1997, por Jorn Barger. Ele criou o web log, e daí o próprio mecanismo da dinâmica da língua levou ao termo blog 
(web log>weblog>we blog>blog).

A partir daí, sem muita dificuldade podemos entender o que aconteceu. O vocábulo blog entrou em nosso dia a dia. Como acontece nas línguas pelo mundo afora, as palavras se aglutinam, se justapõem, se derivam e, assim, o léxico se revitaliza. O termo blog, em nossa língua, uniu-se a um dos elementos sufixais formadores de profissão existentes e voilà: 
BLOG + EIRA(O) = BLOGUEIRA (O).

Na língua inglesa, a saber, também ocorreu o mesmo processo de formação com o sufixo -er (BLOGGER), haja vista outros como winner, rapper etc.

Só que a dúvida continuou. Por que blogueira e não bloguista?

Pesquisei, pesquisei, pesquisei. Li em M. Rodrigues Lapa, no maravilhoso Estilística da Língua Portuguesa, pg 77, que 

“É nos sufixos que a descarga das paixões se dá com maior energia”; 

encontrei em Evanildo Bechara, na sábia Moderna Gramática Portuguesa, 37ª edição, pg 357, que

“Os sufixos dificilmente aparecem com uma só aplicação; em regra, revestem-se de múltiplas acepções e empregá-los com exatidão, adequando-os às situações variadas, requer e revela completo conhecimento do idioma.”

Os sufixos -eira e -ista têm um traço semântico em comum, ambos são também formadores de termos que indicam ocupação, ofício, e a preferência, no caso daquele que se ocupa trabalhando em um blogue, se deu para blogueira(o).

Como a permanência dos vocábulos na língua, ainda que estejam em desacordo com a gramática, - e não que seja este o caso -, se consagra pelo uso, o termo blogueira me parece ter vencido. 

Agora, com isso não quer dizer que eu não possa usar bloguista, partindo do princípio de que para a formação e o consequente uso de termos recentes na língua há de haver um tempo para a escolha de um ou de outro, ou até mesmo serem usados os dois. São as chamadas variantes linguísticas.

Alguns estudiosos dos processos de formação de palavras dizem que é na sufixação que ocorre o processo de revitalização do léxico com maior vitalidade e ainda que o sufixo -eira é um dos mais produtivos da nossa língua, todavia existe nele uma potencialidade pejorativa.

Penso que existe sim uma conotação pejorativa no termo blogueira - e por isso me pareceu desagradável.

Para concluir, a escolha de blogueira(o) pode ter surgido da contaminação com o termo funkeira(o), que embora tenha significado diferente, tem prestígio popular e o uso se disseminou.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

LEITURA E COLHEITA (III) - O FASCÍNIO DA LEITURA (continuação)



LEITURA E COLHEITA (III)


Continuando a resenha sobre o livro Leitura e Colheita, estamos na penúltima parte da Parte I:

Após uma longa experiência como professora de Língua Portuguesa e Literatura, Luzia de Maria se angustiava com ao que ela chama de pobreza de ideias e penúria vocabular de muitos de seus alunos.
Concluiu que as propostas de trabalho de leitura existentes e praticadas não correspondiam de maneira tal para que os alunos se tornassem leitores.

Foi a partir daí que desenvolveu uma estratégia desafiadora em que, na escola, elaborava uma lista de livros e deles fazia comentários contundentes, a fim de incentivar os alunos à leitura, causando neles o entusiasmo e a curiosidade. E mais um pouco além: a paixão.
Deu certo.

Através da leitura nos antenamos com o mundo, viajamos ao passado longínquo e dialogamos com o ontem. Vislumbramos os sinais do futuro e nos situamos no aqui e no agora.

Muitas pessoas dizem não haver tempo para ler. Dizem que é preciso não ter nada para fazer a fim de poder parar para ler. E Luzia de Maria diz - com toda razão - que o tempo é a gente que faz e que usamos nosso tempo para aquilo que nós determinamos como prioridade. E por que não priorizar a leitura? Ela cita, na página 82, para exemplificar o que foi dito acima, alguns fragmentos de textos do livro Como um romance, de Daniel Pennac, publicado pela Editora Rocco.

Nesse mesmo momento do livro Leitura e Colheita, temos algumas perguntas e respostas e, embora as perguntas e as respostas sejam todas de extrema importância, destaquei uma que um participante fez a respeito da idade que, então, se deveria começar a dar livros às crianças. E a resposta vem de modo bastante objetivo: assim que abrissem os olhos na maternidade. Luzia de Maria sugere que os livros sejam apresentados aos bebês do mesmo jeito como são apresentadas as pessoas mais próximas.
Brincadeiras à parte, ela afirma que os livros devem entrar na vida da criança o quanto antes. Antes mesmo do pré-escolar.

Luzia de Maria segue com considerações enfáticas e comentários apropriados, citando o espantoso crescimento da população favelada, em particular no Rio de Janeiro, e assim o crescimento da marginalidade e a supressão da infância.
A política salarial desumana faz com que as condições financeiras da família sejam péssimas e forma o principal motivo que empurra as crianças para as ruas. E é num aspecto inverso que as situações ocorrem: a escolaridade deveria determinar o nível de renda mas o nível de renda é que determina a escolaridade.
Reitera o ressurgimento da criação das escolas em tempo integral, a exemplo dos CIEPs. Um verdadeiro centro de formação com oito horas diárias de convivência. Elogia os centros integrados, os famosos Brizolões, e aponta três erros fundamentais para não terem ido adiante. Nada que na opinião dela - e também em minha opinião - não pudesse ser corrigido.

Um programa educacional daquela dimensão sem dignificar a figura do professor que recebia salários ínfimos há décadas. Escolas outras da rede estadual continuaram funcionando, mas com poucos recursos. Além do custo alto que também serviu de justificativa para que o projeto CIEP fosse completamente desmantelado. E é nesse momento que ela faz a seguinte pergunta: o que é melhor? Um custo alto para aproveitar o potencial das crianças e vislumbrar esperança no horizonte ou manter prisões, resguardando a dignidade dos presos.

Em capítulos seguintes, que é a Parte II do livro, comenta descrevendo a educação em Cuba, no Japão e a dimensão europeia de educação, com maestria, e segue exemplificando, para maior esclarecimento ao leitor. São três capítulos:

- Cuba: uma educação com aval da Unesco
- Japão: disciplina rigorosa ou envolvimento pessoal
- Interação e intercâmbio numa dimensão europeia de educação.


Leitura é exercício da condição de pensar, é alimento para a imaginação, é refinamento do espírito.
Luzia de Maria

A Parte III e última ficará para o próximo post

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

JÚLIA - FALAREI DE CRIANÇAS...



CRÔNICA SOBRE A JÚLIA

Custei, mas conheci a Júlia. Conheci pessoalmente, é o que quero dizer. Quase 3 anos depois que ela nasceu.
Venho acompanhando o crescimento dela, por algumas fotos que vejo, desde bebê.
A Júlia é filha da Fabiana, minha manicure e amiga também, pois há mais ou menos quatorze anos, ela (a Fabiana) faz minha unha e, venhamos e convenhamos, durante 14 anos, que são 168 meses, com 4 semanas cada, sendo uma hora por semana, são muitas horas de convivência. Bastante tempo para se gostar ou não de uma pessoa, não acham?
Quando, então, vi a Júlia no salão, pequenininha, vindo me conhecer, rapidamente gostei. Na verdade, eu já gostava dela através do carinho que tenho pela Fabiana. Aí foram apenas uns segundos de apresentação e pronto.
Agora que a conheci, tão moreninha e com um cabelo lindo de morrer, é que gostei mais ainda. Ao passar dos minutos, ali, fazendo a unha, e ela, a Júlia, por perto brincando, vi o quanto ela é encantadora.
Inteligente, observadora e linda! Seus olhinhos são como jabuticabas. Bem moreninha, mais morena ainda do que nas fotos que vi.
Carinhosa e doce. Abraça e beija quando a gente pede. Tudo nela encanta.

Olhem as fotos, não me deixam mentir!



Porém o que mais me chamou a atenção, além da beleza física, foi a inteligência dela. Ela observa o mundo a sua volta e toma as decisões pelo seu próprio pensamento.

As crianças são abençoadas por Deus e sempre nos surpreendem.

Parabéns aos papais!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

VÍTIMAS DA TRAGÉDIA DE MARIANA, MG. UM SONETO EM SOLIDARIEDADE



Resolvi construir um soneto. Construir é a palavra certa, pois um soneto é um soneto! São 14 versos, distribuídos em dois quartetos e dois tercetos. Dei preferência aos decassílabos, ou seja, com dez sílabas poéticas. Ulálá!!! Quem sabe um dia farei os alexandrinos...
Temos de considerar também a rima que pode ser AABB, AABB, CDC, DCD, ou outras variedades. Sendo todas difíceis de construir. Este é ABAB, ABAB, CDC, CDC, eu acho. He, He, He!
Este soneto a seguir, eu denominei DILETANTE, com a intenção de demonstrar amadorismo desde o título.
O que é bem verdade!
Bom, leiam e ouçam, e, se quiserem, comentem, critiquem, compartilhem.



DILETANTE SONETO

Incompetência e ganância levaram
a cidade Mariana, na lama.
Engolida na terra. Soterraram.
Tragédia anunciada. Ai, que trama!

Rio Doce, rio brasileiro, extenso.
As Minas Gerais e o Espírito Santo.
Um rio que banha ouro e fé. Intenso.
O grande homem estragou esse encanto.

Caos ambiental sem planos de emergência.
Minério, barragens com rompimentos.
Restam indenizações. Indecência!

Pessoas desaparecidas, por favor!
Famílias e histórias destruídas.
O homem colhe lama, seca, fome e dor.

  A angústia de um pesar      Durante a madrugada me vieram lembranças. Um tanto quanto estranha a minha alma estava que, ...